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Caetés é uma marca do interior brasileiro de todos os tempos

maio 11, 2014

No romance Caetés, Graciliano Ramos revela relações humanas impregnadas pelo vício da rotina e morosidade, em uma pequena cidade do interior, Palmeira dos Índios. O que quebra essa linearidade é o envolvimento de João Valério, personagem principal que narra a história em primeira pessoa, com Luísa, mulher do patrão dele.

São os serões na casa dos Teixeiras, encontros no bar do Bacurau, uma procissão ensaiada que todos sabem que irão terminar dentro da igreja local. Nesses ambientes, cada um se aprisiona em um jogo de observação da vida alheia e pouco espaço um dá ao outro ou a si mesmo. Valério e Luísa namoram. Ele levado pela obsessão. Ela pela inocência. Não há julgamento de consciências. Mas demora pouco para o envolvimento dos dois voltar ao lugar da normalidade, de algo nada especial.

O jogo de conveniências dita o ritmo da cidade. Valério se vê perturbado em segui-lo. Deveria se casar com as solteiras Marta Varejão ou a Teixeira moça? Ou persistir em possuir Luísa? A princípio ele escolhe a segunda opção. Mas ao fazê-lo, Valério não supera o padrão de comportamento vigente. Como ele próprio se analisa, querer Luísa, assim como querer escrever o romance sobre os caetés, eram impulsos que íam e vinham. Essa oscilação era uma constante que apenas demonstrava uma vontade de ser diferente do seu grupo.

Ele quer se libertar da pacatez e pequinês de sua condição geográfica. Quer ir para o Rio de Janeiro, onde se imagina casado e com quatro filhos vermelhos, fortes e louros. Mas isso pode ser com Luísa, como também com outra que o convívio social lhe apresente. Com isso, Valério conclui que ele não passa de um índio caeté, louro e de olhos claros. Um selvagem de modos refinados. Em nada diferente dos seus pares.

Na cidadezinha de Palmeira dos Índios, todos se conhecem e pouco espaço há para as pessoas viverem a própria individualidade. Um certo ar cansado embriaga o fuxico social. Tudo o que vem do Rio de Janeiro, capital nacional na época, e da Europa é tido como superior. A falta de identidade local e a pouca informacão sobre os índios, apenas vistos como selvagens, deixam Valério confuso sobre a própria identidade. A cidade do interior da década de 30 que Ramos retrata muito se assemelha a tantas outras do Brasil do século XXI. A única diferença o que hoje em dia o tecido social ganhou um verniz cheio de carros e acesso ao consumo de produtos encontrados nos grandes centros.

 

 

 

 

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From → Meditações

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