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Aridez e leveza no romance “A Cabeça do Santo” de Socorro Acioli

A mãe morre e Samuel parte cheio de ódio e motivado por vingança contra o pai que os deixara há anos. O destino é Candeias, Ceará, uma cidade condenada pelo abandono político e por falhas na construção de uma estátua, que tem a cabeça próxima aos pés, ao invés de sobre o pescoço, de Santo Antônio. É lá que Samuel se abriga e percebe que tem a capacidade de ouvir as vozes das mocinhas e senhoras que estão procurando um companheiro.

Combinando ingredientes da política local e da fé do interior nordestino brasileiro, Socorro Acioli traz profundidade e leveza em “A Cabeça do Santo”. O prefeito mal visita a cidade e se incomoda quando o local começa a ganhar notoriedade. A religião mobiliza as pessoas e se torna um negócio lucrativo para Samuel e parceiros, que logo depois se tornarão amigos sinceros.

Mesmo apresentando a secura e a rigidez de ambiente e personagens, a narrativa traz também esperança e humor, colocando as misérias da vida lado a lado com positividade, perdão, confiança e amor. Na estrutura do texto, Acioli usa uma linguagem simples e direta parecida com a de o roteiro de um filme. Lê-se imaginando as cenas. As personagens são muitas vezes descritas por ações e por suas falas, e não por descrições longas de perfis psicológicos. Uma leitura rápida e divertida. Cabeça de santo ok0001

A qualidade de ser você mesmo em grupo

Plenitude e gratidão me acompanham hoje, ao deixar a Osheanic, por uns dias.  Esse novo lar que se formou, tem me preenchido de qualidade de estar na presença e no coração. Em passos de bebê, vou adquirindo confiança e firmeza para ser eu mesma perante os outros e de sentir o amor que liberta e fortalece, mas nunca aprisiona ou vitimiza.

Conectada com cada membro desse organismo vivo Osheanic, me sinto segura para aprender a compartilhar amor, sem comprometer minha verdade. O amor e o respeito que tenho por cada indivíduo desse lugar cresce e fortalece um belo relacionar de respeito mútuo.

A place to live

A place to live

 Além da Osheanic, a existência me coloca o projeto Rising Voices no caminho. Aceito e recebo a oportunidade de poder colaborar com dois lindo projetos que promovem o crescimento, a liberdade e a emancipação dos indivíduos. Contribuo para levá-los ao conhecimento do máximo de pessoas possíveis, ao mesmo tempo que adquiro tempo, espaço e confiança para expressar como quero ser no mundo. Trabalho a consciência para ser eu mesma e utilizar formas de expressão que tornam possível trazer sentimentos e verdade à vida.

Amizades saudáveis vão se formando dentro e fora do mundo do mestre Osho. Homa, uma das líderes da Osheanic, certa vez disse que formar vínculos era o mais importante. Lá seria um local para isso. Eddie, diretor do Rising Voices, disse que mais importante do que levar ferramentas de mídia às comunidades, era construir relações com as pessoas. É o melhor presente que possa receber. Vou me conscientizando. Mais importante do que atingir metas e objetivos é o compartilhar de energias com pessoas tão ricas em amor,sabedoria e vontade de viver. Elas nada pedem.  Só buscam a própria essência. Posso escolher com quem me relacionar. Consegue ouvir essa voz que vem de dentro? Ela não agredi e nem é demais que sufoca os outros. Vai além do ego e da reação.

Mestre Osho me fez caminhar pelas casas dele na Bahia e me trouxe para o Ceará, conhecendo corações que me tornam capaz de firmar nos meus próprios pés. Continuo na jornada e estou à caminho do Pará, onde vou representar o Rising Voices por três dias. Muito feliz e satisfeita!

Amor, amor e liberdade!

Primalizada

Algo morreu. Deixou de existir. Como toda morte há um sentimento de perda. Vou me desapegando do passado. Não que haja uma alegria satisfeita com esse fato. Ocorre uma melancolia em forma de surpresa. Uma não-identidade que aflige. Se não fui o que passou, o que sou? A entrada no incogniscível me aflige, como se me deixasse solta e eu não pudesse segurar em nada. Onde estava o porto seguro do eu que no momento saiu das vistas? Uma linha suspensa no ar levanta muita poeira que se transforma. Esse estado de mutação, de dizer adeus quebra minha vontade de saber o que é. Nada é. Tudo esteve. E a única realidade é muito difícil de aceitar. Resta vivê-la como o ovo que virou passarinho e voa de árvore em árvore até se assentar para fazer seu próprio lar.

Dia#7, uma semana direta de Dinâmica e Kundalini

Cheguei ao sétimo dia de meditação Dinâmica e  Kundalini. A Dinâmica eu fiz todos os dias de forma ininterrupta. Mas a Kundaline, devo confessar, pulei um dia porque a conversa estava boa com um amigo. Meus braços estão doloridos de tanto pular gritando Hoo.  Em alguns dias foi difícil se conectar com a raiva. Achei que não houvesse mais nada de dor, sofrimento ou tristeza. A tentativa é de ir lá no fundo de si mesmo e liberar qualquer repressão que ainda possa existir na mente, sentimentos e corpo. É a limpeza da casa.

Quando chegou no quarto dia, não tive vontade de bater em almofadada nem nada. Fiquei bastante no meu poder pessoal conectada com a força de animais. No quinto, dancei e cantei. O desafio maior foi não abrir os olhos na hora do Hoo. Sempre quando pulo, vou parar em diversos lugares do salão e fico com receio de me esbarrar em algo ou alguém.

Entre os sexto e sétimo dias, consegui novamente ir para a raiva e sentimentos que somos ensinados de que não é bom senti-los. Por quê é importante permitir que isso venha à tona? Porque quem diz sempre sim, pode estar dizendo não para si mesmo, como já disse Osho. E esse sentir raiva, frustração, tristeza ocorre quando não estamos dizendo sim para nós mesmos.

Foi incrível perceber a quantidade de energia represada no maxilar. A lembrança era de episódios e pessoas que por um motivo ou outro me tiraram da minha felicidade pessoal no passado. Ou acontecimentos nos quais eu não tive força para me manter firme na minha essência. Críticas, picuinhas, tudo isso teve um impacto grande. Permitir essa raiva de ser expressa em um ambiente seguro é vital, é saudável, é ser verdadeiro.

Adiante para a segunda semana…Mais vitalidade, verdade e poder pessoal!

 

*As fases da Dinâmica são: respiração caótica, catarse, pula gritando “hoo'”  “stop”(ficar parado), dança (celebração). O movimento durante as meditações traz muita consciência corporal.

Desafio de 21 dias: Meditação Dinâmica e Kundalini

Volto para minha nova morada, o Osheanic, no Ceará e já lanço meu novo desafio: Fazer as meditações Dinâmica e Kundalini por 21 dias. Essas duas técnicas são a base do trabalho do mestre Osho. Elas aplicam conhecimentos da bioenergética e possibilitam momentos de liberação emocional e limpeza do campo energético. Assim são as meditações ativas.

No domingo, enquanto caminhava até à praia, havia ficado na dúvida se corria ou meditava pelas manhãs. Não pelo acaso do destino, os banhistas a quem pedir para olhar minhas coisas, levaram meu tênis  quando eu estava no mar. Seguindo os sinais da existência, abraço o desafio de fazer as duas meditações por 21 dias e relatar um pouco como está sendo o processo.

Ontem comecei com o Dia 1 e já foi um processo ficar centrada no corpo e não deixar a mente me levar para projeções futuras ou lembranças do passado. Pela manhã, veio imagens combinadas com sentimentos de repressão junto com vozes dizendo o que devo fazer. Muitas vezes são elas que cortam minha espontaneidade. Bati muita almofada no chão durante a catarse. Mas amanhã espero escrever mais e contar como foi o Dia 2 e explicar um pouco como são as fases dessas meditações. Meditar, assim como escrever e outras práticas requer tempo, dedicação e ainda mais importante, continuidade nos processos.

Namastê

Dizer até breve

Digo adeus à casa que me acolheu. O sítio onde iniciei minha busca, não sei ainda do quê se me perguntarem os mais práticos, com meu amigo, irmão e mestre Shamarda. Êta cara que pulsa amor e tem tanto que pode compartilhar. Certeza de que tanto acolhimento, aceitação e curtição não foram à toa. Meu coração bem lentamente se abre como o melhor remédio para expectativas furadas de um futuro de vida regulamentado. E aprendo a aceitar cada partícula do que sou no presente. Meu velho, trago você comigo onde quer que eu vá! Continue esse trabalho bonito de cura e desenvolvimento pessoal.

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Gratidão Sham, Susie, Yana, Suwami, Sita e Folgada. Essa família linda que me recebeu com tanto carinho, como se eu já fizesse parte dela. E sim, já faço. Sigo transmutando a resistência de dar e receber amor, sentindo a beleza de ser um coraçãozinho que cresce pela quantidade de sementes de felicidade que posso semear junto com o outro. Até breve meus caros!

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Caetés é uma marca do interior brasileiro de todos os tempos

No romance Caetés, Graciliano Ramos revela relações humanas impregnadas pelo vício da rotina e morosidade, em uma pequena cidade do interior, Palmeira dos Índios. O que quebra essa linearidade é o envolvimento de João Valério, personagem principal que narra a história em primeira pessoa, com Luísa, mulher do patrão dele.

São os serões na casa dos Teixeiras, encontros no bar do Bacurau, uma procissão ensaiada que todos sabem que irão terminar dentro da igreja local. Nesses ambientes, cada um se aprisiona em um jogo de observação da vida alheia e pouco espaço um dá ao outro ou a si mesmo. Valério e Luísa namoram. Ele levado pela obsessão. Ela pela inocência. Não há julgamento de consciências. Mas demora pouco para o envolvimento dos dois voltar ao lugar da normalidade, de algo nada especial.

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