Pular para o conteúdo

Abandono

Pernas, cabeça, pelo, braço
Tudo parou areia abaixo

Lágrimas a cair,
Me pus a chora,
Nada fazia
os que eu amava
para trás olhar

Corri, busquei que um dia me fez pensar

Ter certeza de quem eu era a fazia parte de um lugar

Encontrei pela frente água, areia e além-mar
Rostos tristes ou raivosos e outros até a lamentar

Paralisei, sucumbi, e agora encontro-me aqui
A espera que uma dia, a sombra volte pro seu lugar
E eu possa novamente com uma pessoa contar

*Feito durante oficina literária com Kátia Borges na Caixa Cultural em especial ao Dia da Mulher

Anúncios

Oração ao Asfalto

Oração ao Asfalto

A Natureza não morre, a Natureza nunca morre.
Chuvas retornam ao seu leito nos rios de avenidas de vale, máquinas em rodas giram,

A Natureza não morre, a Natureza nunca morre.
Concreto, concreto, Montes Claros, Ponty
De boa qualidade ou mais barato
Sufocam o respiro ou bloqueiam o fluxo,

A Natureza não morre, a Natureza nunca morre.
Progresso, ordem, desen-envolvimento do Estado
Abram-se avenidas, criem-se BR-s, BA-s, BOs,
“Foi o lixo”. “Quem jogou o lixo”. “Alguém, não sei”.

A Natueza não morre, a Natureza nunca morre.
Peguei a Estrada de Ferro de Nazaré, desci pelo Rio Jaguaribe, fui de Jequié a SSA.
Irei de Piatã a Ipiaú, subindo o Rio de Contas, até chegar em Itacaré, em cada cidade um porto à beira-rio,
barcos com pessoas que viajam,
embarcações com cacau, nibs, essências, sapucaia,

A Natureza não morre, a Natureza nunca morre.
Índice pluviométrico de 5.000 mm/dia, soterramentos, alagamentos, deslizamentos, vida sub-aquática
Índice pluviométrico, 0mm/década, seca, morte, fome, sede.

Não morre para quem a sabe ler.

Reviravoltas

Todos os dias têm seus twists. De uma manhã vazia que se transforma em uma tarde plena. De uma manhã de bode de trabalho de research para uma tarde prestativa. De pausas de silêncio inundadas de “se” e “senão” à ação de levar o trabalhador da tia vizinha ao hospital.  Da tensão na estrada de rally entre buracos, curvas e ladeiras no barro à surpresa de ser agraciada com quilos de frutas saudáveis e naturais colhidas nas terras ancestrais. Vai dia, vem noite! Vai noite, vem dia!

 

 

 

Aridez e leveza no romance “A Cabeça do Santo” de Socorro Acioli

A mãe morre e Samuel parte cheio de ódio e motivado por vingança contra o pai que os deixara há anos. O destino é Candeias, Ceará, uma cidade condenada pelo abandono político e por falhas na construção de uma estátua, que tem a cabeça próxima aos pés, ao invés de sobre o pescoço, de Santo Antônio. É lá que Samuel se abriga e percebe que tem a capacidade de ouvir as vozes das mocinhas e senhoras que estão procurando um companheiro.

Combinando ingredientes da política local e da fé do interior nordestino brasileiro, Socorro Acioli traz profundidade e leveza em “A Cabeça do Santo”. O prefeito mal visita a cidade e se incomoda quando o local começa a ganhar notoriedade. A religião mobiliza as pessoas e se torna um negócio lucrativo para Samuel e parceiros, que logo depois se tornarão amigos sinceros.

Mesmo apresentando a secura e a rigidez de ambiente e personagens, a narrativa traz também esperança e humor, colocando as misérias da vida lado a lado com positividade, perdão, confiança e amor. Na estrutura do texto, Acioli usa uma linguagem simples e direta parecida com a de o roteiro de um filme. Lê-se imaginando as cenas. As personagens são muitas vezes descritas por ações e por suas falas, e não por descrições longas de perfis psicológicos. Uma leitura rápida e divertida. Cabeça de santo ok0001

A qualidade de ser você mesmo em grupo

Plenitude e gratidão me acompanham hoje, ao deixar a Osheanic, por uns dias.  Esse novo lar que se formou, tem me preenchido de qualidade de estar na presença e no coração. Em passos de bebê, vou adquirindo confiança e firmeza para ser eu mesma perante os outros e de sentir o amor que liberta e fortalece, mas nunca aprisiona ou vitimiza.

Conectada com cada membro desse organismo vivo Osheanic, me sinto segura para aprender a compartilhar amor, sem comprometer minha verdade. O amor e o respeito que tenho por cada indivíduo desse lugar cresce e fortalece um belo relacionar de respeito mútuo.

A place to live

A place to live

 Além da Osheanic, a existência me coloca o projeto Rising Voices no caminho. Aceito e recebo a oportunidade de poder colaborar com dois lindo projetos que promovem o crescimento, a liberdade e a emancipação dos indivíduos. Contribuo para levá-los ao conhecimento do máximo de pessoas possíveis, ao mesmo tempo que adquiro tempo, espaço e confiança para expressar como quero ser no mundo. Trabalho a consciência para ser eu mesma e utilizar formas de expressão que tornam possível trazer sentimentos e verdade à vida.

Amizades saudáveis vão se formando dentro e fora do mundo do mestre Osho. Homa, uma das líderes da Osheanic, certa vez disse que formar vínculos era o mais importante. Lá seria um local para isso. Eddie, diretor do Rising Voices, disse que mais importante do que levar ferramentas de mídia às comunidades, era construir relações com as pessoas. É o melhor presente que possa receber. Vou me conscientizando. Mais importante do que atingir metas e objetivos é o compartilhar de energias com pessoas tão ricas em amor,sabedoria e vontade de viver. Elas nada pedem.  Só buscam a própria essência. Posso escolher com quem me relacionar. Consegue ouvir essa voz que vem de dentro? Ela não agredi e nem é demais que sufoca os outros. Vai além do ego e da reação.

Mestre Osho me fez caminhar pelas casas dele na Bahia e me trouxe para o Ceará, conhecendo corações que me tornam capaz de firmar nos meus próprios pés. Continuo na jornada e estou à caminho do Pará, onde vou representar o Rising Voices por três dias. Muito feliz e satisfeita!

Amor, amor e liberdade!

Primalizada

Algo morreu. Deixou de existir. Como toda morte há um sentimento de perda. Vou me desapegando do passado. Não que haja uma alegria satisfeita com esse fato. Ocorre uma melancolia em forma de surpresa. Uma não-identidade que aflige. Se não fui o que passou, o que sou? A entrada no incogniscível me aflige, como se me deixasse solta e eu não pudesse segurar em nada. Onde estava o porto seguro do eu que no momento saiu das vistas? Uma linha suspensa no ar levanta muita poeira que se transforma. Esse estado de mutação, de dizer adeus quebra minha vontade de saber o que é. Nada é. Tudo esteve. E a única realidade é muito difícil de aceitar. Resta vivê-la como o ovo que virou passarinho e voa de árvore em árvore até se assentar para fazer seu próprio lar.

Dia#7, uma semana direta de Dinâmica e Kundalini

Cheguei ao sétimo dia de meditação Dinâmica e  Kundalini. A Dinâmica eu fiz todos os dias de forma ininterrupta. Mas a Kundaline, devo confessar, pulei um dia porque a conversa estava boa com um amigo. Meus braços estão doloridos de tanto pular gritando Hoo.  Em alguns dias foi difícil se conectar com a raiva. Achei que não houvesse mais nada de dor, sofrimento ou tristeza. A tentativa é de ir lá no fundo de si mesmo e liberar qualquer repressão que ainda possa existir na mente, sentimentos e corpo. É a limpeza da casa.

Quando chegou no quarto dia, não tive vontade de bater em almofadada nem nada. Fiquei bastante no meu poder pessoal conectada com a força de animais. No quinto, dancei e cantei. O desafio maior foi não abrir os olhos na hora do Hoo. Sempre quando pulo, vou parar em diversos lugares do salão e fico com receio de me esbarrar em algo ou alguém.

Entre os sexto e sétimo dias, consegui novamente ir para a raiva e sentimentos que somos ensinados de que não é bom senti-los. Por quê é importante permitir que isso venha à tona? Porque quem diz sempre sim, pode estar dizendo não para si mesmo, como já disse Osho. E esse sentir raiva, frustração, tristeza ocorre quando não estamos dizendo sim para nós mesmos.

Foi incrível perceber a quantidade de energia represada no maxilar. A lembrança era de episódios e pessoas que por um motivo ou outro me tiraram da minha felicidade pessoal no passado. Ou acontecimentos nos quais eu não tive força para me manter firme na minha essência. Críticas, picuinhas, tudo isso teve um impacto grande. Permitir essa raiva de ser expressa em um ambiente seguro é vital, é saudável, é ser verdadeiro.

Adiante para a segunda semana…Mais vitalidade, verdade e poder pessoal!

 

*As fases da Dinâmica são: respiração caótica, catarse, pula gritando “hoo'”  “stop”(ficar parado), dança (celebração). O movimento durante as meditações traz muita consciência corporal.